quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um dia, qualquer dia

Qualquer dia será o próximo dia
de fazer o que quer que seja.
Não sei o que nem o porquê, mas será um dia qualquer para qualquer coisa.

terça-feira, 25 de maio de 2010


No filme "O solista" , o personagem que toca nas ruas barulhentas de Nova Iorque é perguntado de como ele consegue tocar em meio a tanto barulho. Resposta : " Eu só ouço a música e o aplauso das asas dos pombos".
Lindíssima imagem oral.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Conto

In-dedução


Estacaram.
Foi desse jeito que as sombras que serelepeavam na parede ficaram quando a mulher entrou. Atônitas, viram a mulher sentar-se à mesa , ereta. Os olhos parados, cheios de vazios. Abertos, pareciam que enxergavam o que contemplara há pouco. O rosto sujo com algo que as sombras não conseguiram identificar.
Com as duas mãos sobre a mesa, punhos fechados, a mulher chorava. A mão esquerda segurava o ar com força; na direita, uma faca serrilhada. Ela parecia não acreditar no que fizera.
Os olhos, de repente, criaram vida e olharam para a mão da faca. A raiva, o nojo e o desespero surgiram como trovão. As sombras tiveram a certeza, então, de que o horror estava presente, ali, na mão da mulher.
As sombras se aproximaram e, com espanto, viram o sangue. No rosto, como riscos. Na mão, na faca. Abundante, como uma tatuagem vermelha e afiada.
Ouviram a mulher murmurar, a princípio: “- Eu não queria fazer. Eu disse que eu não queria. Jamais tinha feito isso. Mas ele me obrigou. Foi a minha primeira vez.”
Ela olhava para a faca suja de sangue que escorria pela sua mão, e pingava sobre a toalha branca. Como sonâmbula, abriu mais os olhos parados, e a voz cortante em tom cada vez mais alto, passava um desespero feito lâmina:
_ Eu não queria. Nunca pensei que um dia ia fazer isso. Ele disse que eu tinha que fazer para perder o medo. Não assim! Ele devia ter me ajudado! Mas não, largou tudo em minhas mãos e saiu. Eu o odeio! Vou fazer para ele o que ele me obrigou a fazer. AH! Se vou!
Trêmulas e confusas, as sombras não saíram o lugar. Estáticas, olhavam para a mulher sem acreditar. A porta abriu e elas, apavoradas, correram a se esconder no canto da sala, mas curiosas.
Espiavam, espremidas, quando o homem entrou e foi direto até a mulher.
Ele se abaixara e falava com a mulher, calmo, como se fosse acostumado a fazer o que ela fizera pela primeira vez.. Ele tirou a faca da mão ensanguentada e beijou-lhe o rosto, ainda riscado de sangue. Ela começou a chorar, abraçou-se a ele. As sombras ainda conseguiram ouvir a mulher, enquanto os dois saíam:
_ Nunca mais faça isso comigo. Na próxima vez que você quiser comer peixe, por favor, traga ele já pronto. Nunca mais me faça limpar um peixe na vida.
Aliviadas, elas recomeçaram seus saracoteios na parede quando a porta se fechou.

B -dolescência

Todo mundo se preocupa com a A-dolescência., que ocorre entre os 12 e 20 anos. E todo mundo sabe que é difícil adminstrar esse tempo da vida: para fazer algumas coisas vc é jovem demais para sair à noite, mas não é mais criança para querer chupar pirulito.
Envelhecemos e quando chega-se à idade de 50 a 60, a coisafica difícil também. Vc não está na meia-idade e nem na terceira idade. Se você for vestir uma roupinha da moda, vc é velha demais. Se você quiser só ficar em casa fazendo um tricôzinho, vc é jovem demais. Até as vacinas da gripe não temos o direito, pois estamos muito jovens e cheios de saúde; mas te mandam fazer um monte de exames(colesterol, glicose,etc) porque a idade já está ficando cada vez maior.
É por isso e outras que chamo esse tempo da vida de B-dolescência.
Claro que existem exceções tanto na A-dolescência quanto nas pessoas da B-dolescência, mas, no geral, tanto os jovens quanto nós dos 50 a 60 temos problemas de nos encontrarmos num lugar certo e seguro.